Viçosa do Ceará, Ceará – Brasil

Município: Viçosa do Ceará

História:
Município localizado na Mesorregião da Ibiapaba, suas origens, pelo menos em termos indígenas, datam do Século XVI, quando em suas descidas em busca de paz aí se instalaram os Índios tabajaras.

Esses Índios têm como procedência as regiões são-franciscanas, onde parte de suas aldeias e em número considerável se localizavam. Desavenças tribais terão sido os princípios motivos do seu desagregamento e conseqüente formação de outros grupos.

Segundo informações coevas, o itinerário percorrido entre o ponto de origem e o estabelecimento final, terá ocorrido por etapas, acostando inicialmente no litoral rio-grandense e, em seguida, a buscar o oeste do setentrião, alcançando o que, posteriormente, seriam o Cariri e a Ibiapaba.

Durante quase dois séculos e a ignorar que a chamada civilização existia, permaneceram sem ser molestados, vivendo à sombra da natureza.

No limiar do Século XVI, surgiram os primeiros índios de colonização não propriamente no Ceará, mas em outras Capitanias.

Os donatários ou colonizadores que buscavam terras cearenses desistiam do empreendimento ou, em tenebrosos, eram repelidos pelas hordas nativas ou engolidos pelas águas agitadas dos mares “nunca dantes navegados”.

Domínio Francês: Por volta do ano de 1590, estabeleceram-se na Grande Serra franceses provenientes do Maranhão, firmando suas bases junto às principais lideranças da grei Tabajara.

Esses franceses, em número de dezesseis milicianos, tinham no comando o seu compatriota de nome Adolf Montbille. Lideravam os nativos o índio Jurupariaçu e o irmão de nome Irapuã, também conhecido por Mel redondo, se bem que o primeiro tivesse suas possessões no reduto da baepina ou Ibiapina.

O reduto principal, tronco certamente de passadas gerações, havia tornado como locativo o apelido de Irapuã, chamando-se, então de Mel redondo.

Ibiapaba viria posteriormente, quando da aplicação do idioma Tupy, falado pelos indígenas, seria formada a composição toponímica, cujos expoentes envolvem dois elementos: bi = terra + apaba = terminar, findar, acabar, donde se obtém lugar onde a serra termina.

Colonização do Reduto: Mesmo sem se conhecer, em profundidade, dos objetivos dessa projeção francesa, sabe-se que nas testadas norte da Grande-Serra existia ouro em abudância (Mina da Pedra Verde). Seria, então, esse o móvel da aventura.

De qualquer modo, essa presença francesa junto aos seus aliados Tabajaras estimularia o plano de colonizção, atraindo de outras procedências novos agregados.

Transformou-se o reduto em verdadeira cidade, contendo cerca de doze mil indivíduos a desenvolver diversos misteres.

Até rabinos, calvinistas e católicos se confundiam em suas batalhas de pregação.

Deu-se ao lugar certo perfil urbano, com alinhamento de casebres e ruas, dentre estas a Rua de Paris, local de tavolagem, embriaguez e desordens ou réplica da vadiagem parisiense e Rua da Pedra Lipse, antro prostibular da vidade.

A denominação da rua tem origem no conceito popular segundo o qual se associa, a certas doenças venéreas, a emprego desse brutal medicamento na cura dos engalicados.

Expulsão dos franceses – Esse tipo de civilização perdurou por um espaço de quatorze anos, quando para infortúnio dos Tabajaras deu-se o desagregamento ao qual se dá como responsável o aventureiro Pero Coelho.

Em janeiro de 1604 em dia que a História não registra, montou seu acampamento ao sopé da serra, banda leste e a medir cerca de dois quilômetros de distância. Pero Coelho fazia-se acompanhar de aproximadamente cinco mil indivíduos, entre militares, índios válidos, velhos, mulheres e crianças.

Mandou tocar a corneta nincha, intimando a rendição os ocupantes do reduto, porém estes não a aceitaram. Deu-se o conforto. Do lado de baixo estrondeavam os mosquetes.

De cima, os céus se enegreciam cruzadas por flechas. Ao cabo de seis meses, em que baixas registraram em ambos os lados, triunfou a pertinácia lusa.

Missão Jesuítica – Em 1607 e após fracasso indígena e o malogro expedicionário de Pero Coelho surgiu a Companhia de Jesus em termos de catequese. Chefiavam a Missão os padres Francisco Pinto e Luiz Figueira.

Após o longo martirológio, entre o rio Mossoró e a projeção intermediária do Maranhão, tiveram na Ibiapaba fraterna recepção. Diabo Grande (Jurupariaçu) e Mel Redondo (Irapuã), além de magistral recepção, proporcionaram-lhe os meios de que necessitavam para concretização dos seus idéias.

Batizaram os nhemongaraíbipireíma (pagãos), uniram em matrimônio os nhemboaguaçareímbara (amigados), fizeram pregações, celebração de missa diariamente, instituíram aulas de cânticos aos jovens e transformaram em vatecúmenos vários neófitos.

Contrariamente a todos esses esforços, aliados à convicção de que a Ibiapaba estaria definitivamente evangelizada, viria o imprevisto.

A caminho do Maranhão, distante do reduto Tabajara em apenas seis léguas, seria trucidado pelos Tucurujus o padre Francisco Pinto.

Novo período de abandono se abate sobre a Ibiapaba, durante quase meio século, quando por determinação do Superior da Missão do Maranhão, o orador de grande dotes, padre Antônio Vieira, tenta resgatar o tempo perdido.

Os Jesuítas – A 14 de julho de 1601, chegaram ao Ceará, dois jesuítas: Padre Luiz Figueira e Padre Francisco Pinto. Seus objetivos eram catequizar o Ceará.

Em 1607 o Padre Francisco Pinto fora à Ibiapaba catequizar os índios daquela região. No dia 11 de janeiro de 1608, pela manhã, a pequena aldeia foi surpreendida com o ataque dos índios tucurijus, horda sanguinária, que vivia algumas léguas daquele local.

Do bárbaro assalto, resultou incêndio, depredação e grande número de mortos e feridos, o Padre Francisco Pinto foi trucidado no momento em que celebrava o Santo Sacrifício da missa, foi sepultado em Viçosa onde hoje é a Matriz de Nossa Senhora da Assunção.

O Padre Luiz Figueira escapou, por não está na vila no dia do morticínio, mais infelizmente em 1642 morreu vítima de um naufrágio nas imediações da Ilha de Marajó.

A 15 de agosto de 1700 foi considerado o dia da fundação oficial da aldeia da Ibiapaba e da futura cidade de Viçosa. As três tribos de índios que se agremiaram em Viçosa, na época de sua fundação, era os Camocins, Anacés e Ararius de raça Tupuia, além dos Tabajaras do grupo Guarani.

Concluiu-se a igreja que estava sendo formada, ergueu-se a residência dos Padres “de madeira e barro”, coberta de folhas de palmeiras, colocou-se na Igreja a imagem de Nossa Senhora da Assunção e fez-se uma festa de três dias, segundo Carta Anual assinada pelos padres Ascenso Gago e Manuel Pedroso.

Vieira na Ibiapaba – Prestigiado pelo Governo do Maranhão e a manter estreito relacionamento com os Tabajaras, Vieira empreendeu e realizou sofrida jornada a Ibiapaba (1660).

Teve magnífica recepção. Ao deixar o reduto, fato que deverá ter ocorrido no começo de junho de 1660 e a pedido das lideranças indígenas, deixou Vieira, além dos padres Pedro de Pedroso e Gonçalo de Veras, nova organização missionária.

Missão da Ibiapaba – Em seus aspectos funcionais a Missão se instalou, preliminarmente, entre os meses de janeiro e fevereiro de 1700.

Edificou-se, em termos provisórios, a capela, cujo orago dedicou-se em honra de Nossa Senhora da assunção, constando como data inaugural o dia 15 de agosto desse ano. Vieram em seguida a Casa dos Padres (Casa Paroquial e residência dos itinerantes ou pessoas em trânsito, comumente a se hospedarem em casa dos índios e usurparem a fidelidade conjugal de suas mulheres.

Inventário Patrimonial – Por ocasião do arrolamento dos bens patrimoniais da Companhia, o primeiro em valores cadastrais, registrou-se o seguinte volume:

Fazenda Tiáia – 720 vacas de cria, 290 bois, 18 éguas e 44 cavalos;
Fazenda Umbuzeiro – 1.240 vacas de cria, 445 bois, 134 léguas, 43 cavalos, 50 cabras e 37 chibatos;
Fazenda Missão – 1.435 vacas de cria, 445 bois, 134 éguas, 43 cavalos, 50 cabras e 37 chibatos.
Fazenda Pitinga – 238 vacas de cria. Resumindo tudo a termos práticos, teremos: a) 4.709 cabeças de gado vacum; 270 cavalos e éguas;150 cabras e chibatos;

Este inventário patrimonial, que outra finalidade não tinha a não ser a divisão de seus conteúdos entre os panaiguados da usurpação, seria rateado, equipendentemente, entre os participantes da operação, a contar do menor ao maior na escala da ierarquia dominante, exceto com relação à Fazenda Tiáia, adjudicada à Coroa Lusa.

Igreja – Calcada em precedentes de efêmera existência, fixou-se a partir de fevereiro de 1700, com inauguração a 15 de agosto do mesmo ano, data consagrada a Nossa Senhora da Assunção, padroeira da cidade.

A Freguesia dentro da nova configuração política tem como instrumento de apoio a Provisão de 7 de julho de 1757, sendo seu primeiro vigário o padre Luiz do Rego Barros (Vigário Geral).

Toponímio – O nome atual, acrescentando do Ceará, em virtude de outras Viçosas mais antigas, ocorreu segundo Dec-Lei n.º 1.114 de 30 de dezembro de 1943, tendo como seu defensor intransigente o tabelião e líder político Francisco Caldas da Silveira (Aragão – Fichário – História – Obra. Cit. 3ª Ed. – Pág: 190/245/351/356.

Origem do Nome de Viçosa – O nome Viçosa é de origem lusa. Há em Portugal a Vila Viçosa onde nasceu Duque de Bragança. Até ser aclamado Rei, como nome de D. João VI em 1640.

Foi o primeiro soberano da dinastia de Bragança, que reinou em Portugal até 1910.

O Viço de sua natureza, a fertilidade de seu solo, a pureza do ar serrano, os vales regados por águas perenes, contribuíram para a fixação da outra Viçosa além – Portugal.

O Nome de Viçosa
1ª – Aldeia da Ibiapaba (1700)
2ª – Vila Viçosa Real da América (1759)
3ª – Viçosa (1882)
4ª Viçosa do Ceará (1943).

Dados Gerais:
CEP: 62300-000
Distância de Fortaleza: 365,8 km
Tempo estimado de viagem: 5 h 20 min
Vias de acesso: BR-222/CE-187
Região administrativa: 5
Localização: microrregião da Ibiapaba
Municípios limítrofes: Granja, Tianguá (e estado do Piauí)

Geografia:
Área: 1.311,59 km²
Latitude: 3° 33′ 44”
Longitude: 41° 05′ 32”
Clima: Tropical quente semi-árido brando e Tropical quente sub-úmido com chuvas de janeiro a abril
Relevo: Planalto da Ibiapaba e Depressões sertanejas
Vegetação: Carrasco, Floresta caducifólia espinhosa, Floresta subcaducifólia tropical pluvial, Floresta subcaducifólia tropical xeromorfa e Floresta subperenifólia pluvio-nebular
Precipitação pluviométrica: 1.349 mm (média histórica)
Recursos hídricos ( 2007): 76 poços

Demografia:
População estimada (2007): 52.855
População ( 2000): 45.427
População Urbana ( 2000): 14.478
População Rural ( 2000): 30.949
Densidade Demográfica ( 2000): 34,64 hab/ km²
Taxa de urbanização ( 2000): 31,87%

Economia:
PIB (2005): R$ 113.058.000
Agropecuária: 23,79 %
Indústria: 7,98%
Serviços: 68,23%
Receita Orçamentária ( 2007): R$ 40.032.837,11

Educação:
Taxa de alfabetização ( 2000): 59,1%
Taxa de escolarização no ensino fundamental ( 2007 ): 118,6%
Taxa de escolarização no ensino médio ( 2007): 71,4%

Política:
Eleitores ( 2006): 36.209
Perfil dos eleitores ( 2006):
Masculino: 18.131
Feminino: 18.027
Não informado: 51

Fotos:

   

  

Veja Também:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *